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Natureza em forma de arte capturada pelas lentes de um fotógrafo sobre o gigante Tietê

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Valdemir Cunha, jornalista, nasceu em São Paulo e durante toda a sua infância, morou perto do rio Tietê. Hoje, casado com Márcia e pai de três filhos, Gabriela (23 anos), Caio (11 anos) e Vinícius (sete anos), dá continuidade a história de sua vida vivendo em um condomínio a apenas 300 metros da margem do rio.

Valdemir começou a fotografar em 1986 e teve a primeira foto publicada em um grande veículo dois anos depois, em 1988, na Folha de São Paulo, na Ilustrada, já que na época fotografava espetáculos teatrais.

Mas qual a relação entre o fotógrafo e o Tietê, além do fato de Valdemir morar sempre perto do rio?

Uma paixão que guiou sua carreira e deu origem a um acervo com cerca de 20 mil imagens e resultou em dois belíssimos trabalhos: “Tietê, um rio de várias faces”, lançado em 2009 pela Editora Horizonte, e “Tietê, o Rio e suas margens”, lançado no ano passado.

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Nessa entrevista, iremos falar sobre o primeiro livro, que por meio das lentes do fotógrafo Valdemir, mostra um Tietê como nunca visto antes. 1.136 Km de extensão cortando o Estado de São Paulo de leste a oeste. 

Boa leitura!

GS: O que mais o encanta na fotografia?

Valdemir: A possibilidade de construir narrativas visuais. De contar histórias a partir de um conjunto de imagens, porque a fotografia é uma linguagem universal, não tem barreira de idioma. Todo mundo fala essa língua que é a mais falada do mundo, principalmente por conta das redes sociais.

GS: Como nasceu a ideia do livro? O projeto já existia e você foi convidado?

Valdemir: Minha relação com o rio Tietê é de infância. Ouvia meu pai contando as histórias que ele pescava no rio aqui na cidade de São Paulo. Como sempre morei perto do Tietê, ele sempre foi uma presença na minha vida. Em 2002, fiz uma matéria para uma revista chamada “Os Caminhos da Terra”, uma espécie de National Geografic brasileira que existiu até 2008 e na qual eu era editor executivo. Essa matéria gerou um convite para eu fazer um livro como fotógrafo em 2008, “Tietê, um rio de várias faces”, e depois quando abri minha editora em 2010, resolvi que o Tietê merecia outro livro, com as minhas características, e aí surgiu o “Tietê, o Rio e suas margens” que lancei o ano passado pela Editora Origem.

GS: Por que o interesse em registrar o Tietê e fazer parte desse projeto?

Valdemir: Além de minha relação afetiva com o rio, em função do meu pai e de minha infância perto de suas margens, eu sou especializado em bacias hidrográficas, já fiz dois livros sobre o Tietê, um sobre o Paraíba do Sul, outro livro sobre o Pantanal, o livro Água, que fala da relação do brasileiro com a águas e a utilização desse recurso natural. Enfim, é a minha área de atuação como fotógrafo documentarista e o Tietê não poderia ficar de fora do meu trabalho.

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GS: Como conheceu a história do Tietê?

Valdemir: Minha formação é de jornalista e gosto muito de história, por isso, já conhecia a história do rio e sua importância para a interiorização do Brasil. Mas a partir de 2002, com a grande reportagem para a revista “Os Caminhos da Terra” em que percorri o rio da nascente à foz pela primeira vez, foi que eu me interessei mais ainda e me aprofundei na história do Tietê.

GS: Quanto tempo durou o trabalho de capturar as imagens?

Valdemir: Venho produzindo imagens do Tietê desde 2002 e nunca parei. E nos dois livros que fiz, tanto em 2008 como agora em 2014/2015, percorri todo o rio várias vezes. Meu acervo do Tietê possui cerca de 20 mil imagens.

GS: Como é registrar, pelas lentes da sua câmera, um rio que para muitos paulistanos pode ser apenas um rio poluído, mas que respira vida ao longo do seu trajeto?

Valdemir: O rio tem várias facetas e a de esgoto a céu aberto é a imagem apenas dos moradores da grande São Paulo, na maioria de sua extensão, o rio não é poluído. Pra você ter uma ideia, depois de Barra Bonita, todos os municípios que são banhados pelo Tietê possuem balneários e as pessoas têm o Tietê como sua praia, sem falar que as águas do Tietê são captadas para o abastecimento de muitas cidades, assim como é utilizado para transporte de grãos e de cana-de-açúcar. Comemos peixe do rio Tietê, eles chegam ao Ceagesp todos os dias. Infelizmente aqui em nossa capital ele é sim um canal de esgoto a céu aberto. Embora muito já tenha sido feito para tentar diminuir esse problema, ainda falta muito para o Tietê se transformar num rio Sena.

GS: O que mais o impressionou durante esse trabalho?

Valdemir: Saber da importância histórica do rio para nosso país e de como as pessoas do interior se relacionam com ele principalmente no que está ligado ao lazer.

GS: Alguma história em especial que tenha te marcado durante todo esse trajeto do rio?

Valdemir: Levar meus dois filhos mais novos para a nascente. Eles ficaram encantados e foi difícil pra eles entenderem como aquela água limpinha se transformava no que eles viam todos os dias perto de casa.

GS: O que foi mais difícil fotografar?

Valdemir: Não encontrei dificuldade, mas a coisa mais triste que vi e também uma das coisas mais plásticas do ponto de vista da fotografia, foram as espumas produzidas pela poluição em Santana do Parnaíba. Triste ver aquela espuma que parecia saída de uma máquina de lavar invadindo a cidade literalmente.

GS: O que representou para você como cidadão e como fotógrafo esse projeto?

Valdemir: Acredito que algumas histórias devam ser contadas e transformadas em livros para que as pessoas tenham acesso. E acredito que a história do Tietê é uma delas. A partir do livro, fiz palestras para escolas públicas e foi emocionante ver as crianças pegando o livro curiosas querendo saber mais. Acho que esse é o papel do fotógrafo documentarista, contar histórias necessárias.

GS: O que leva com você após esse período?

Valdemir: A certeza que temos que fazer mais para o Tietê ter o mesmo destino do Rio Sena e Tâmisa que foram despoluídos depois de literalmente morrem nas principais cidades em que passavam. Basta visitar Paris e Londres para entender o que estou falando. O Tietê, pelo bem ou pelo mal, faz parte de nosso dia a dia aqui na cidade de São Paulo e precisamos resgatá –lo.

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