Planejando a nova casa: como conciliar gostos diferentes de um casal?

Entrevistamos a designer de interiores Lenice Cinti e a arquiteta Legiani de Melo Borba, sócias do escritório LL&S Arquitetura. Elas falaram sobre os conflitos que costumam surgir quando duas pessoas precisam montar e decorar juntas uma só moradia.

 

Dividir uma casa ou um apartamento não é tarefa simples, e temos acompanhado um movimento forte em direção a espaços menores nos últimos anos. O problema realmente se acentua quando é preciso compartilhar um imóvel pequeno?

Legiani de Melo Borba: Morar em espaços menores é uma tendência global em grandes centros urbanos, principalmente entre os jovens. E fazer um projeto para um ambiente pequeno  é, de fato, mais difícil. Sobretudo quando o projeto é para duas pessoas.

Mais difícil como?

Legiani: Olha, até algo relativamente simples quando temos metragem ampla, como a escolha da cama do casal, envolve mais cuidados. Geralmente, a dúvida é aquela: cama tradicional, queen ou king? Mas as pessoas precisam de um apoio lateral, para deixar um livro, os óculos, o celular, a garrafa de água... Tem que ver o que é possível colocar no ambiente sem retirar o conforto de nenhum dos dois.

O profissional de arquitetura, decoração ou design de interiores deve escolher um lado quando o casal não entra em acordo?

Legiani: Toda casa precisa ter a personalidade do morador ou dos moradores, e o profissional deve ter sensibilidade para captá-la. O projeto precisa ter a cara do cliente – no caso, dos clientes. Para os futuros moradores, o primeiro passo é fazer uma planta baixa e ter ideias para cada cômodo: pisos, azulejos, cores de paredes, luminotécnica. A gente escuta o que cada um pensa para o ambiente como um todo e também para cada ambiente. Mas é normal direcionar. O cliente bate o pé porque quer o ar-condicionado de um jeito? É nossa função lembrar: “Mas assim o ar vai direto na cama”...

Lenice Cinti: A disposição dos acessórios, das coisas do dia-a-dia, é mais pessoal. Mas os casais entram em conflito por tudo: mobiliário, cor de parede, cor de tapete, tipo de piso... O profissional precisa ter bom senso. Cores de parede e piso, por exemplo, não podem ser muito escuras em espaços pequenos, porque diminuem o ambiente. Aí, para não deixar aquela cor tão querida pelo cliente fora do projeto – vermelho, roxo, amarelo –, dá para fazer algumas brincadeiras. Criar soluções como pastilhas na cor em questão, aplicadas em uma faixa estreita da parede da cozinha ou do banheiro, por exemplo.

Quais são os motivos que mais desencadeiam brigas entre casais?

Legiani: Um problema muito comum de acontecer é com a iluminação. Não é nem questão apenas dos gostos serem diferentes; muitas vezes, o casal tem horários diferentes. Um acorda cedo, o outro gosta de trabalhar à noite, rende mais durante a madrugada... A solução, nesses casos, é fazer algo bem direcionado, com baixa intensidade de luz, para não tirar a privacidade do outro.

Dinheiro também provoca muito conflito?  

Lenice: E como! Ele se encaixa na outra pergunta, é uma das principais causas de conflito. Antes de mais nada, o casal precisa chegar a um consenso sobre quanto pode gastar. Mas, no meio do projeto, geralmente surgem preocupações com valores. Isso é normal. “Por que você escolheu porcelanato? É muito mais caro que piso laminado!” Ou acontece o oposto: “Por que você escolheu isso? Não tinha material melhor? Eu preferia algo mais sofisticado...”

É possível que os dois lados tenham voz ativa nas decisões sem transformar a casa em um carnaval de estilos desconexos, em um Frankenstein?  

Legiani: Sim, é totalmente possível. Muitas vezes, um foca mais em uma parte da reforma e o outro se preocupa com os demais elementos. Acabamos de ter um caso assim. O homem era muito ligada à elétrica, segurança, a questões de internet, de circuitos. E a mulher pensava em tudo como um conjunto.

Como alguém consegue fazer o parceiro mudar de opinião?

Lenice: Com conversa. Diálogo. Você tem que receber as informações e rebater numa boa: “Para para pensar um pouco”. E você tem que dar uma justificativa para a sua escolha. É preciso dar uma função para as coisas, não é “Ah, mas é porque eu quero assim”. A decoração tem que ter funcionalidade. Até a cor precisa ter uma função, mesmo que ela seja emocional: “Porque essa cor me traz conforto”.

Qual é o conselho que vocês dão quando as escolhas não batem?

Lenice: É preciso se adaptar. Adaptação é uma palavra-chave em qualquer situação. E ter respeito, em qualquer lugar onde a gente tem que dividir o espaço isso é necessário. Todos devem ter a sua individualidade respeitada. Com ou sem filhos, esse casal é uma família e deve poder dizer: “Estamos no nosso lar”. Falando de forma prática, é importante respeitar o espaço do outro de maneira geral e também o espaço preferencial, aquele que é o xodó do outro. Cada um tem o seu: o jardim, se a pessoa gosta de plantas; o espaço de cozinhar, de receber, de trabalhar, de ler, de ver TV.

A GoodStorage é o maior rede de self storage de São Paulo, com 11 unidades localizadas em pontos estratégicos. A GoodStorage oferece a locação de box de 1m² a 100m² para armazenar o que tem valor para você e para a sua empresa pelo tempo que precisar, com flexibilidade e segurança. Solicite o seu orçamento.