Setor de locação de box espera vencer a falta de hábito do brasileiro e crescer

São Paulo - O setor de self storage tinha tudo para dar certo: preços acessíveis, nicho pouco explorado e oportunidades de negócio mesmo na crise. Contudo, a falta de costume do brasileiro em usar este tipo de serviço tem desacelerado o avanço de um setor com tanto potencial.

Mesmo assim, empresas como a GoodStorage, GuardeAqui, MetroFit e D-Espaço contam com a mudança de hábito do brasileiro e mantêm planos de expansão mirando, sobretudo, em varejistas, empresas de comércio eletrônico, empreendedores. Em média, os boxes ofertados variam entre 1 metro quadrado (m²) e 100 m².

A GoodStorage, por exemplo, possui sete unidades em funcionamento e deve inaugurar mais duas até o final do ano, totalizando 40 mil m² de Área Bruta Locável (ABL). A meta da empresa é atingir 30 unidades até 2019 localizadas em São Paulo e Grande São Paulo, segundo o CEO da empresa, Thiago Cordeiro.

Além de manter o perfil de clientes tradicionais, o grupo aposta em companhias que estão otimizando suas operações com um modelo logístico mais capilar. Com o conceito, os clientes mantêm seus centros de distribuição como base para controlar sua mercadoria, mas acrescentam 'hubs' nos centros das cidades para facilitar as entregas com veículos de carga de menor porte. "A ideia é trabalhar mais perto dos destinos finais", analisa.

Para ele, essa tendência mostra a busca por eficiência entre as empresas brasileiras. Assim, a demanda corporativa, somada à de pessoas física tem levado a empresa a ter uma taxa de absorção líquida (a área efetivamente locada, descontados os espaços liberados no período) positiva em todos os meses de 2016. "A ocupação está melhor mês a mês", comemora Cordeiro.

Grandes companhias

Outra empresa que também acredita no aumento do uso de 'hubs' dentro das capitais é a GuardeAqui, tanto que construiu, em algumas unidades, espaços que podem chegar a 500 m². "Em Santo Amaro (bairro da cidade de São Paulo) tem uma empresa de vestuário que aluga um espaço de 200 m²", exemplifica o diretor de operações, Adriano Araújo.

Além de companhias que querem usar este modelo de cadeia de distribuição, o executivo aponta o crescimento em outro perfil de cliente: empresas que estão reajustando suas operações. "Também temos visto muitos clientes que decidiram procurar oportunidade no exterior e deixou suas coisas armazenadas", resume.

Outro aspecto positivo encontrado neste cenário instável é a oportunidade de compra de novos espaços. "Negociações que tínhamos e o valor estava alto, ou o proprietário tinha resistência à negociação, agora estão mais flexíveis para não ficar com imóvel parado. Com juros altos, eles preferem capitalizar."

A companhia possui 12 unidades em funcionamento e três em desenvolvimento, com previsão de entrega até o início de 2017 e que devem totalizar cerca de 100 mil m². A maior parte delas está na cidade e interior de São Paulo, mas há também espaços em Minas Gerais e Rio de Janeiro. "A taxa de ocupação tem se mantido em 85% nas unidades mais consolidadas e nas novas também tem crescido", ressalta.

A perspectiva de alta do faturamento da empresa para este ano é de 40%, se contabilizadas as novas unidades. Entre as operações com mais de um ano de funcionamento, a empresa pretende atingir crescimento de pelo menos 15%.

Outra companhia que não deve desacelerar seus planos de expansão é a MetroFit. A empresa possui duas unidades com mais de 10 mil m² no total e até o final do ano deve entregar duas unidades localizadas em São Caetano (SP) e Alphaville (SP). Além dos desenvolvimentos, a empresa espera anunciar até dezembro, entre três e cinco novos empreendimentos. "Nosso plano de expansão pode chegar a 40 ou 50 unidades até 2020-2021", explica o gerente geral de operações da MetroFit, Arthur Ostrovsky. Por enquanto, o foco da empresa é o estado de São Paulo, mas já há estudos de outros mercados como Rio de Janeiro (RJ), Porto Alegre (RS) e Belo Horizonte (MG).

Para ele, o grande desafio do self storage hoje é a cultura do autoarmazenamento, tanto entre empresas como pessoa física. "Não faz parte do dia a dia do brasileiro", cita. Mesmo assim, ele acredita que a expansão acelerada das empresas não deverá saturar o ramo. "Ao mesmo tempo que tem expansão das empresas, também tem expansão da cultura", diz.

Líder regional

Para a gerente de propriedade e novos negócios da DCL Real Estate, empresa proprietária da D-Espaço, Mônica Moraes, a melhor forma de mudar a cultura é mostrando a funcionalidade do espaço. "Temos que mostrar que somos uma extensão da casa ou do escritório", menciona. Por isso, a D-Espaço adicionou sala de reunião e business center (com computadores e internet) ao seu empreendimento.

Segundo ela, outro desafio no setor é a concorrência desleal. "Muitos se dizem self storage, mas não têm o mesmo padrão, e hoje na crise concorremos com preço", diz.

A empresa possui um único empreendimento de 952 m² de ABL e a previsão é expandir o espaço em 50%. Além disso, a companhia deve abrir mais um empreendimento em Curitiba e já está prospectando outras cidades no Sul do País.

A companhia, que até agora tem boxes a partir de 3m², deve acrescentar boxes de 1m² em sua expansão para captar os clientes com demandas menores e preços mais baixos.

Vivian Ito